Após muito refugar, finalmente de KDE4

Os Gnome-maniacos que me desculpem, eu tentei, fiz um esforço sobrenatural, mas não deu, a crise de abstinência foi alta, sentia forte dores pelos dedos do pé (após chutar a CPU por ter feito algo errado e o computador se recusar a atender meus desejos), calafrios percorriam a minha espinha (caracas, parece que vai nevar aqui no inferno a.k.a Prudente, teve dia de fazer 13° em vez dos habituais 32° a sombra), ou seja, eu estava em vias de ter um surto psicótico, ai, para resolver tudo tentei mais uma vez, com calma, o KDE 4.

Já vinha testando ao longo dos lançamentos, testei o 4.0 no Slackware, o 4.0.4 no Mandriva, o BETA do 4.1 tanto no Slackware como no Mandriva e o KDE 4.1 no Ubuntu e agora no Arch. Também fiz uma experiencia, instalei os pacotes que tinha aqui do Slackware e coloquei no GoblinX, rodou bem, levando em conta que era um BETA, mas totalmente sem utilidade devido aos crashes.

Logo que lançaram esta versão prometi que iria esperar os lançamentos tanto do Amarok como o KOffice, assim, até mesmo o KDE4 já estaria mais maduro, com funcionalidades novas prontas, mas não resisti, primeiro tentei no Ubuntu, mas não gostei da versão “kubuntu-desktop”, há quem diga que esta versão é mais organizada, mas eu gosto de algumas coisas do KDE que eles deixam de fora de seu empacotamento, coisa de gosto pessoal mesmo.

Ai, no Arch temos duas opções, o KDE 4.1 original e o KDEmod 4.1, este ultimo é uma versão da comunidade da distribuição que possibilita a instalação modular do KDE, assim, se você não precisa de algumas coisas não precisa instalar. O KDe é dividido em grupos de pacotes, ai, basta você selecionar quais aplicações daquele grupo você quer, por exemplo, eu gosto dos jogos do pacote KDE-Games, mas não de todos, que fiz, instalei o “common” que é o pacote com as bibliotecas básicas usadas em todos os jogos e ai mandei instalar apenas aqueles jogos que eu realmente vou jogar, como KDiamente, KQuebraBarreiras, KBatalhaNaval e KsirK.

A idéia em si é muito boa, passo a ter instalado apenas aquilo que vou usar, sem abrir mão de aplicações, que para mim são essenciais, como o KWrite (um editor de texto muito leve e simples, uso ele para diversas tarefas onde o Kate seria um exagero). Contudo não vou ficar explicando o que é o KDEmod, na Wiki do Arch tem uma explicação detalhada, no site oficial do projeto também poderá obter maiores informações.

Instalei o KDEmod conforme as instruções do site, via Pacman (gerenciador de pacotes do Arch), de inicio encontrei alguns problemas, fiz uma cara de insatisfeito, até tentei um pouco, mas ai resolvi remover, sem olhar muito, desta instalação sobrou apenas uma imagem, que acabei usando em um teste lá no Max.INFO. Removi tudo, inclusive arquivos de configuração, ai parti para a instalação do KDE 4.1 “oficial” da distribuição.

Logo de cara percebi que os erros que encontrei tratavam-se de algo generalizado, pesquisando um pouco descobri que outras distribuições também sofriam dos problemas, então a culpa não era do KDEmod ou do Arch, mas sim do KDE 4, para uma solução só aplicando os patchs não-oficiais ou então esperando uma correção por parte do KDE mesmo. Resolvi largar de lado após mexer um pouco, mas nesta mexida acabei descobrindo coisas bacanas, como o Marble, um atlas geográfico onde um globo terrestre é exibido em 3D, cheio de informações legais, para quem gostava de geografia na escola é um prato cheio. Ele está incluso no pacote KDEedu e teve uma avaliação muito boa recentemente no Linux.com, lá dizem que ele pode vir a rivalizar com o Google Earth e o Maps.

Marble - Nova aplicação do KDE, um lindo e útil Atlas Geográfico

Marble - Nova aplicação do KDE, um lindo e útil Atlas Geográfico

Outras aplicações novas do KDE 4 que gostei são o Dragon Player, seu novo visualizador de vídeos, alguns jogos como o KDiamante e KsirK (um jogo estilo o imbatível War), mas veteranos, como o Konqueror não estão fazendo feio, pelo contrario, este, como navegador de internet está muito bom, muito melhor que sua versão do KDE 3, renderiza muito bem os sites, as fontes estão mais legíveis que no Firefox e a velocidade está bem próxima também. Tirando o fato de não ter os plugins, poderia dizer que o Konqueror poderia ser meu navegador padrão tranquilamente, pena que, em algumas coisas ainda esteja incompatível, como, por exemplo, o editor de textos que é usando aqui no Wordpress.

Marble - Vejam o tio Max, siga a seta

Marble - Vejam o tio Max, siga a seta

Mas, no final, acabei removendo novamente o KDE, fiquei só com o Gnome por alguns dias.

Contudo, vocês que me conhecem sabem, sou um KDEpendente assumido, não resisti e refiz a instalação do KDEmod mesmo, para minha surpresa já tinha algumas correções, que não resolveram todos os problemas que senti (na realidades são coisas bobas, como por exemplo a falta de montagem automática de partições NTFS no Dolphin (já resolvido), o reinicio de seção quando faço qualquer alteração visual no System Settings (já resolvido) e outras, mas deu uma melhorada, está até mais “leve”, consumindo menos memoria e processamento.

Infelizmente muitas coisas ainda estão faltando para o KDE 4 agradar aos fãs das versões anteriores, além de muitas aplicações de peso como Amarok e Koffice ainda não estarem prontas, a personalização está muito prejudicada. Faltam ainda muitas opções no que sobrou do meu querido KControl, posso dizer que até gostei do System Settings, mas o antigo KControl parecia ser mais fácil de localizar as coisas. Muitos o consideravam o KControl exagerado, claro, existiam muitas funções que não estão presentes, este é mais elegante, mas sinto que falta algo, mesmo sem saber bem o que é que está faltando, talvez apenas uma impressão.

Outro ponto que pode ser frustante é quanto a personalização. Existem poucas opções, comparadas com o 3.5.9 chega a ser humilhante, inclusive uma reclamação do Frank Karlitschek, mantenedor do KDE-Look.org, é que temas para o Plasma, Plasmoids e outras coisas para o KDE 4 estão demorando muito para aparecer, parece que as pessoas ainda não pegaram o jeito para faze-los ou não se interessaram. De minha parte confesso que eu não sei mesmo como faze-los. Até arriscava criar alguns temas para o KDE 3, mas para este ainda não sei nem por onde começar. Contudo, com as opções que temos agora já dá para fazer alguma coisa, vejam o screenshot abaixo:

Meu KDE4 , versão KDEmod 4.1

Meu KDE4 , versão KDEmod 4.1 - notem os ícones no systray

Basicamente estou usando o que vem por padrão, muito Oxygenado ainda, espero melhorar muito nos próximos dias, só preciso de um pouco de tempo para “fuçar”. Gostei dos Plasmoids disponíveis, o de exibição de pastas repliquei para ter acesso fácil a 3 pastas, a de downloads, a de imagens e de documentos, acesso rápido aos arquivos que mais acesso. Notem que há um defeito ali no systray, os ícones não estão transparentes, nada que atrapalhe, mas deixa a ambiente estranho.

No quesito aplicações ainda está devendo, para mim, os carros-chefe são Amarok e KOffice, justamente a dupla que está em estagio ALPHA. O KMail que já usei por um tempo está aqui presente, mas confesso que nem iniciei ele, primeiro por ter lido noticias recentes que não está totalmente pronto, mas também por ter tudo configurado no meu Thunderbird, já que uso o Firefox fico com o TB mesmo, pelo menos por enquanto. Gostei das melhorias gerais do KGet, agora, além de gerenciador de downloads via HTTP também trabalha com o torrents. Para pessoas, como eu, que baixam torrents uma vez na vida e outra na morte é um mão na roda, não há mais a necessidade de mais um programa apenas para isso, que seria usado muito de vez em quando.

Outras aplicações parecem ter ainda seus problemas a serem resolvidos, alguns módulos do System Settings parecem estar precisando de ajustes, o que trata da configuração de atalhos de teclado (Ações de Entrada, localizado na aba “Avançados”), alguns itens simplesmente não funcionam, por mais que eu insista. Algo me diz que houve mudanças nessas configurações, mas eu não encontrei ainda a informação correta disso. Sempre as minhas teclas especiais por este caminho, mas desta vez algo não está funcionando como deveria, desconfio que seja um conflito com as novidades do Plasma, mas, como disse, não tenho certeza ainda.

Outro software que gosto muito é o Yakuake, um emulador de terminal estilo Quake, este também é outro que ainda não está legal, para suprir a ausência criei um atalho que abre o Konsole mesmo, ai vou lá e faço que quero, mas ainda não é o modo mais legal de se fazer.

Bem, resumindo tudo, o KDE 4.1 está muito melhor que o KDE 4.0, mas não chegou ainda no seu ponto ideal de maturação, talvez na versão 4.2 que será lançada em Janeiro/2009, até lá algumas correções podem vir a solucionar os problemas menores, mas, definitivamente, acho que só na versão 4.3 que ele irá igualar em recursos e opções a versão 3.5, mas adotar o Gnome nem pensar, a não ser que ele mude tudo, ai, quem sabe, poderemos pensar.

Em Tempo -

Este artigo vem sendo escrito no decorrer dos dias, dentre o começo e o fim já dei uma personalizada no visual, já instalei algumas coisinhas, vejam abaixo algumas imagens adicionais de como ficou:

KDEmod - versão já mexida, ainda não está como quero

KDEmod - versão já mexida, ainda não está como quero

Mais KDEmod com Firefox ativado + gtk-qt-engine

Mais KDEmod com Firefox ativado + gtk-qt-engine

Mais uma do KDEmod, gostei do widgets, vários em uso

Mais uma do KDEmod, gostei do widgets, vários em uso

KDE 4 e um seus efeitos, mesmo sem Compiz-Fusion

KDE 4 e um seus efeitos, mesmo sem Compiz-Fusion

Mais um tema do Plasma, estou na duvida se uso

Mais um tema do Plasma, estou na duvida se uso

Agora é aguardar o KDE 4.2, AmaroK e KOffice, até lá vamos ver como meu desktop irá ficar.

Esqueci de dizer, o KDE4 já está no Current do Slackware, eu havia visto esses dias no changelog, mas hoje já está até na pagina inicial do site, com direito a logo nova e tudo mais.

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MaxRaven • Em 15 agosto, 2008 • Categoria: Opinião
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9 Comentários para “Após muito refugar, finalmente de KDE4”

  1. “Os Gnome-maniacos que me desculpem, eu tentei, ”

    Ainda não vi o kde 4.x, mas até o 3.x eu prefiro o konqueror ao nautilus.

  2. tb prefiro o k3b ao nautilus/brasero/gnobaker

  3. Tbm gosto do k3b, mas como já havia instalado o braseiro acabei deixando ele, por enquanto. Como amarok e outros vou esperar versões finais (ou próximas disso).

  4. [...] um pouco meus planos, mas nada que eu não dê um jeito, por exemplo, escrevi o artigo sobre o uso do KDE 4 para o LinUser.com não só na frente do computador, ando com um caderno, onde eu estou vou fazendo anotações [...]

  5. [...] por Max Raven (maxΘmaxraven·info) - referência [...]

  6. Espero que erros como ocorre no KDE 3 não aconteçam no 4. Por exemplo tento iniciar o Kaffeine e ele não abre, mesmo com o processo rodando, e só depois de vários minutos é que ele abre (outros não abrem, exemplo noatun).
    O K3b poderia largar de besteira e permitir gravar imagens de cd em dvd. Isso é uma das coisas mais chatas do K3b hoje em dia.

  7. João, nunca tentei isso no k3b, nunca percebi isso, vou tentar qualquer hora para ver hehe. Agora aqui, o kaffeine sempre abriu normal, pelo menos no mandriva, mas acabo sempre usando o mplayer, força do habito de anos, mas aos poucos tenho usado bastante o dragon, isso no kde4. Já tive um problema semelhante com o kate, chegava ao ponto deu cansar de esperar e mandar abrir outro editor, ai, do nada, o kate aparecia.

  8. Relendo o Commit-Digest do KDE, vi que eles estão refazendo o systray
    Leia aqui:
    http://commit-digest.org/issues/2008-08-03/
    e veja:
    http://commit-digest.org/issues/2008-07-06/

  9. Valeu pelo acréscimo Igor, não tive tempo de ler o KDE.news esses dias (por onde leio o commit), não tinha visto, mas como disse, tudo indica que no 4.2 tudo isso já será passado, nem vamos mais lembrar desses erros.

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